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Epidemia de solidão: como lidar com sentimento de não pertencimento?

 Psiquiatra explica como combater a epidemia de solidão, considerada uma ameaça à saúde pública pela OMS

A epidemia de solidão refere-se a um fenômeno crescente, em que um número significativo de pessoas experimenta uma sensação constante de isolamento social e desconexão emocional, mesmo em ambientes urbanizados e repletos de interações. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia de solidão é uma ameaça à saúde pública.

Este fenômeno tem sido amplamente estudado e preocupa especialistas da saúde, pois afeta não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde física. Uma pesquisa realizada pela Gallup em cerca de 142 países apontou que uma em cada quatro pessoas lidam com a solidão severa, enquanto a mesma quantidade enfrenta a solidão moderada, sendo que os jovens entre 19 e 29 anos são os mais afetados.

“Da mesma forma que outros desafios de saúde pública, a epidemia de solidão requer uma abordagem humanizada e estratégia coletiva para promover redes de apoio, espaços e atividades nas quais as pessoas possam se sentir compreendidas e conectadas com o próximo”, comenta Aline Sabino, psiquiatra na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Embora a solidão seja uma experiência humana comum e até mesmo necessária na forma de solitude, a sua prevalência e intensidade atuais configuram uma situação com impactos significativos no bem-estar físico e mental, especialmente dos jovens.

“Uma das principais características da epidemia de solidão é  sentir-se isolado. Essa sensação vai além de estar fisicamente sozinho, nela, o indivíduo passa pelo sentimento de não pertencimento e falta de conexão, mesmo quando está rodeado de pessoas. Outro ponto importante é o impacto que a solidão causa na saúde. A solidão pode estar associada a diversos problemas de saúde, como doenças cardíacas, depressão, ansiedade, sistema imunológico enfraquecido e até demência”, explica Sabino.

Como combater a epidemia de solidão?

A especialista aponta que diversos fatores contribuem para a epidemia de solidão, como o uso excessivo de tecnologia e redes sociais, por exemplo, pode substituir interações sociais presenciais significativas. 

“O crescente individualismo, a cultura do isolamento, a mobilidade geográfica – que pode levar ao afastamento de familiares e amigos – e a falta de espaços públicos de convivência também são fatores que podem agravar a questão”, ressalta a psiquiatra.

Além disso, Sabino explica abaixo algumas atitudes que podemos tomar a nível individual para combater a epidemia de solidão, pensadas desde a busca por conexões sociais até os cuidados com a saúde mental e o uso limitado da tecnologia. 

Procure espaços de convivência: Participe de grupos com interesses em comum, como clubes de leitura, grupos de caminhada ou aulas de dança. Voluntarie-se em organizações locais para conhecer pessoas e fazer a diferença na comunidade.

Reencontre a familiares e amigos: Reconecte-se com amigos e familiares, se a convivência for saudável, agendando encontros presenciais ou virtuais.

Invista em hobbies e atividades: Descubra novas paixões e interesses, como pintura, música, jardinagem ou culinária. Participe de aulas e workshops para aprender novas habilidades e se conectar com pessoas com interesses similares.

Atividades físicas e relaxamento: A prática de técnicas de relaxamento, como meditação e respiração profunda pode ajudar a aliviar a sensação de ansiedade. Além disso, praticar atividades físicas regularmente também é importante para a saúde mental.

Limite o uso da tecnologia: Crie limites para o uso de mídias sociais e outras formas de comunicação online, priorizando interações presenciais. Use a tecnologia de forma consciente e intencional, buscando conexões significativas em vez de interações superficiais.

A geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) tem buscado cada vez mais se afastar da tecnologia. Um estudo feito pela SPC, empresa de tecnologia na Espanha, aponta que a venda de telefones celulares sem internet está crescendo. Cerca de 12,2% dos jovens no país já trocaram o smartphone por um celular sem internet. 

“Essa geração é a primeira geração a lidar com o vício em smartphones e também a mais afetada pela epidemia de solidão e todas as outras questões levantadas pelas redes sociais, por exemplo, como a necessidade de validação externa e distorção da autoimagem. Isso pode ser visto como uma resposta ao uso excessivo da tecnologia e uma busca por conexões verdadeiras”, finaliza Sabino.                

Publicação: 04/04/2025

Fonte: https://hospitalsaocamilosp.org.br/epidemia-de-solidao-como-lidar-com-sentimento-de-nao-pertencimento/

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