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“Jô Soares simboliza uma importante história do nosso tempo”

Professores da USP lamentam a morte do humorista, apresentador e escritor que marcou a história da televisão brasileira - 

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  • Publicado: 05/08/2022  Por 

“Jô Soares simboliza uma importante história do nosso tempo”, afirma o professor Luciano Maluly, chefe do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, a respeito do humorista, entrevistador, escritor, dramaturgo, músico, poliglota, diretor e ator de cinema, teatro e televisão, que morreu na madrugada desta sexta-feira, dia 5, aos 84 anos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 28 de julho. “Culto e brincalhão, Jô pautou a sociedade brasileira com questões para além do cotidiano”, acrescenta Maluly. “Dos programas de TV aos livros e peças de teatro, revelou ao grande público a desconhecida sutileza da nossa gente.”

Para a professora Esther Hamburger, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA, a vida e a carreira de Jô Soares mostram que a inteligência está presente em todos os segmentos da sociedade e em todas as áreas de atuação. “Não é porque uma pessoa trabalha em televisão que não possui formação, não fala muitas línguas, não é um escritor, um artista plástico – um personagem renascentista, como alguém mencionou”, analisa a professora. “Ele foi uma demonstração de que uma sociedade democrática deseja que as pessoas dos meios de comunicação mais influentes tenham uma formação e tenham condições de situar aquilo que estão fazendo e dizendo num panorama mais amplo da cultura mundial.”

O professor Luciano Maluly – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Por ocasião da morte de um artista como Jô Soares, Esther lamenta a falta de arquivos da televisão no Brasil. “Que bom seria se nós pudéssemos rever agora programas do Jô, não só os trechos que estão aparecendo nas reportagens, mas que cada um pudesse ir nos acervos e olhar. Isso é parte da nossa cidadania. Não termos esses acervos é um sinal da autodesvalorização da nossa cultura”, diz.

José Eugênio Soares, o Jô Soares, nasceu em 16 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos ele se mudou com a família para a Suíça, onde estudou e cogitou seguir carreira diplomática, mas foi atraído de maneira irresistível para a vida artística.

De volta ao Brasil, aos 17 anos, passou a frequentar companhias teatrais e a participar de produções cinematográficas, ainda nos anos 1950. Nessa época, ainda no início da carreira, esteve no elenco da comédia O homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga, contracenando com Oscarito.

A estreia na televisão, meio no qual atingiria consagração, foi em 1958, na TV Rio, escrevendo roteiros para o programa TV Mistério e participando de Noite de Gala e Noites Cariocas. Passou também pela Continental, Tupi, Excelsior, Record, Globo e SBT. Até a metade dos anos 1980 esteve envolvido, ora nos roteiros, ora na frente das câmeras, ora em ambos, em uma série de programas humorísticos que marcaram a televisão brasileira, como Praça da Alegria (Record), Família Trapo (Record, 1967-1971), Faça Humor, Não Faça Guerra (Globo, 1971-1973), Planeta dos Homens (Globo, 1976-1982) e Viva o Gordo (Globo, 1981-1987).

A professora Esther Hamburger – Foto: Fapesp

Em 1987, após 17 anos de trabalhos na Globo, Jô Soares migra para o SBT, onde estreia o programa de entrevistas Jô Soares Onze e Meia. Comanda o talk-show na emissora até 1999, realizando mais de 6 mil entrevistas e consagrando sua faceta de apresentador, com a qual é introduzido para as novas gerações. Em 2000, volta para a Globo à frente do Programa do Jô, que é transmitido até 2016 e mantém o formato de entrevistas bem-humoradas e com forte acento em sua personalidade.

Jô Soares também teve carreira bem-sucedida na literatura, com nove livros publicados, dentre eles O xangô de Baker Street (1995) e O homem que matou Getúlio Vargas (1998). Além disso escreveu, durante os anos 1980, para os jornais O Globo e Folha de S. Paulo e para a revista Manchete. Nos anos 1990, manteve coluna na revista Veja. Já no teatro, estrelou, entre outros trabalhos, Viva o gordo e abaixo o regime! (1978), Um gordoidão no país da inflação (1983), Um gordo em concerto (1994) e Na mira do gordo (2007).

 Fonte: https://jornal.usp.br/cultura/jo-soares-simboliza-uma-importante-historia-do-nosso-tempo/


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