Perspectivas interseccionais e a diversidade do envelhecer como gesto político, são reflexões apresentadas na nova edição da Revista Longeviver.
O envelhecimento em condições de segurança e dignidade constitui um direito humano universal, representando o anseio coletivo de sujeitos em diferentes contextos sociais. Contudo, a efetivação dessa premissa enfrenta obstáculos estruturais que vulnerabilizam grupos específicos, cujos envelheceres são marcados pela negação de direitos básicos e pela precarização do trabalho sob a égide de um sistema que transforma necessidades humanas em mercadorias.
Nesse cenário, a nova edição da Revista Longeviver propõe uma análise sobre a diversidade no envelhecer, compreendendo-a como um gesto político necessário diante de uma estrutura social permeada pelo patriarcado, pela misoginia, pelo racismo e pelo etarismo.
A interseccionalidade surge, portanto, como ferramenta analítica essencial para compreender as múltiplas opressões articuladas que resultam em prejuízos socioeconômicos, na fragilização dos laços comunitários e no desmonte da proteção social.
A presente edição reúne contribuições acadêmicas e relatos que articulam a urgência de respostas do Estado e da sociedade para as lacunas existentes nas políticas públicas.
Entre os temas centrais, destaca-se a análise crítica do envelhecimento LGBTQIA+ na América Latina, que sinaliza a dissidência como um campo de resistência, e a escuta sensível das vulnerabilidades enfrentadas por mulheres idosas em territórios periféricos, como a comunidade de Heliópolis.
Concomitantemente, a edição aborda a necessidade de aprimoramento na gestão de programas de extensão universitária e o papel transformador do cinema na desconstrução de estereótipos, visando reposicionar a velhice como uma etapa dotada de valores positivos.
No campo da saúde pública, a publicação reforça a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) ao apresentar propostas de intervenção multiprofissional voltadas ao cuidado de familiares e cuidadores de idosos dependentes na Atenção Primária.
Adicionalmente, discute-se o compromisso ético dos cuidados paliativos em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), defendendo a institucionalização de programas formativos como garantia da dignidade humana.
Ao encerrar com uma reflexão cinematográfica que dialoga com as tensões da contemporaneidade, esta edição da Revista Longeviver, organizada por Celina Dias Azevedo e Beltrina Côrte, reafirma o compromisso com uma longevidade pautada pela justiça social e pelo reconhecimento das multiplicidades.
Sugestão de leitura: https://www.tuasaude.com/news/2026/04/01/em-que-idade-comecamos-a-envelhecer-mais-rapido-um-estudo-revelou-o-ponto-de-ruptura/
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