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Velhice um evento que pertence ao futuro

Nota do Blog: Este artigo foi publicado no Blog do Mateus Simões. Como o tema é atemporal o reproduzo aqui. Em uma linguagem simples e claro raciocínio Mateus indica vários pontos desta realidade que é o envelhecer  e que somos todos iguais.



É interessante como o nosso conceito de velhice se altera ao longo da vida.


Eu me lembro de achar que meus tios, na casa dos 30 anos, eram todos velhos, quando eu era uma criança. Há poucas semanas, contudo, flagrei a mim mesmo lamentando que o pai de um amigo tivesse morrido ainda novo, com apenas 71 anos.


Por um lado isso é sinal de que à medida que os anos passam, a nossa própria idade altera a perspectiva e, portanto, a velhice parece sempre um evento que pertence ao futuro.


Outro fenômeno é a mudança da expectativa e da qualidade de vida da chamada terceira idade, que pretende não apenas viver mais, mas tem se mantido produtiva, colaborando com sua experiência para o avanço do país.


Os mais cínicos dizem que a defesa dos direitos dos idosos é apenas um mecanismo de autodefesa, pois chegaremos todos lá, a menos que o destino nos arranque antes a vida. Por óbvio, contudo, não é esse o fundamento do reconhecimento dos direitos dos idosos.


É que a capacidade de contribuição, dessas pessoas, para a formação (econômica e moral) do país, é mais potente do que aquela representada pelos jovens em vários aspectos, sobretudo quando ponderada a sabedoria do comportamento equilibrado, que vai se aguçando com o tempo.


O comportamento destemido de um jovem executivo, por exemplo, pode ser bem temperado com a cautela de um conselheiro mais velho, podendo se reproduzir essa mesma lógica em quase todas as atividades.


Na lógica cultural e moral, a experiência, por si só, permite aos mais velhos um acúmulo de informações que, por si só, permite visões ampliadas e críticas.


Nesse dia nacional do aposentado (24 de janeiro), fica a reflexão de que envelhecer não é inutilizar-se, mas ao contrário, é a oportunidade de se entregar a projetos que possam representar os interesses coletivos.


Por tudo isso, temos de passar a ter pelos idosos o mesmo cuidado que queremos deles, com relação à nossa sociedade: Ao projetarmos a redução do tempo dos semáforos, não vamos esquecer que nem todos podem atravessá-los com o mesmo vigor, da mesma forma que não devemos projetar os espaços públicos de lazer pensando apenas em esportes radicais ou configurar projetos voltados a cultura, música e entretenimento considerando apenas o último tema de interesse dos jovens.


Em outras partes do mundo, os mais velhos já são reconhecidos como um grande valor para a sociedade. Aqui, temos respeito pelos cabelos brancos, mas falta desenvolver esse senso de orgulho por ter, em nosso meio, pessoas que, mesmo com a vista cansada, têm a visão bem mais aguda que a nossa.


Fonte: http://blogdomateus.com.br/o-fim-da-velhice/

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