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Música e cores deixam moradias privadas e coletivas mais estimulantes

Animar o ambiente com música e cores pode servir de meio para a criação de vínculos através do prazer de estar num lugar significativo.


Se considerarmos o uso de melodias adequadas ao idoso morador e a composição de ambientes coloridos com tonalidades em tons suaves, certamente poderemos criar situações de conforto e prazer. Essa é uma prerrogativa para pessoas de qualquer idade, mas a fragilidade crescente de pessoas no período da velhice torna mais urgente que se tomem iniciativas assim, tanto em moradias coletivas como em habitações privadas.


Quando entramos em um lugar todo branco, com poucos acessórios, qual a reação? Geralmente o que vem à cabeça é a semelhança com ambiente hospitalar, sempre associado à assepsia mas, também, à dor e à incerteza. E o silêncio? Pode ser um coadjuvante importante quando a mente necessita foco para atividades intelectuais, mas um inimigo perigoso quando a solidão sugere pensamentos negativos.

Há relatos sobre pessoas demenciadas que se mantinham alheias até ouvirem músicas importantes, chegando a cantar e dançar como reação ao estímulo. Visitei uma Assisted Living em Nova Iorque, no coração de Manhattan, e um sistema de som mantinha a execução de jazz em todas as áreas de estar e de passagem. O volume do som era audível mas sutil, animando os locais de encontro e de distração. Em setores de atividades o foco e a concentração são necessários e, portanto, não havia música.


Existem estudos sobre a psicodinâmica das cores e os efeitos que podem criar nos diversos ambientes que utilizamos. Cores quentes (amarelo, laranja e vermelho) são estimulantes mas podem irritar se a sua intensidade e a extensão das superfícies coloridas não estiver compensada por tons complementares. Cores frias (violeta, azul e verde) são relaxantes mas podem deprimir, caso não estejam equilibradas com tons quentes. Estampas em excesso podem desorientar, mas a falta de elementos dinâmicos pode tornar o conjunto extremamente frio e sem graça. E a luz é importante nesse ponto! Tanto a natural como a artificial enfatiza a cor e, portanto, o efeito pode ser positivo ou não, ainda havendo o risco de ofuscamentos se as superfícies brilhantes refletirem diretamente na linha de visão das pessoas.


Se considerarmos o uso de melodias adequadas ao idoso morador e a composição de ambientes coloridos com tonalidades em tons suaves, certamente poderemos criar situações de conforto e prazer. Essa é uma prerrogativa para pessoas de qualquer idade, mas a fragilidade crescente de pessoas no período da velhice torna mais urgente que se tomem iniciativas assim, tanto em moradias coletivas como em habitações privadas. Sabemos que há diferentes preferências nos grupos familiares, o que torna o resultado passível de discussões coletivas.


Mas onde se estabelece a privacidade do idoso, ele e somente ele pode definir. Se estiver com poucas condições cognitivas para isso, há dinâmicas que permitem que participe da escolha, estimulando-se a colaboração com paciência e tolerância. Portanto, animar o ambiente com música e cores pode trazer bons resultados para a socialização do idoso, podendo servir de meio para a criação de vínculos através do prazer de estar num lugar significativo.


(*) Maria Luisa Trindade Bestetti - Sou arquiteta e pesquiso sobre as alternativas de moradia para idosos no Brasil, especialmente sobre a habitação mas, também, o bairro e a cidade que a envolvem. Ser modular significa harmonizar todas as etapas da vida, atendendo desejos e necessidades. Se você tem mais de 50 anos e está preocupado sobre como morar na velhice, participe: leia, comente, pergunte, discuta!... Estamos vivendo mais e melhor, é preciso que pensemos nisso com a tranquilidade e a confiança necessárias para podermos viver muito com segurança e conforto. Blog: Acesse Aqui


Fonte: http://www.portaldoenvelhecimento.com/moradias/item/3949-musica-e-cores-deixam-moradias-privadas-e-coletivas-mais-estimulantes

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