A psicologia diz que a parte mais solitária de envelhecer não é estar sozinho, mas sim perceber que algumas amizades não sobrevivem quando você para de tomar a iniciativa e ter disposição em fazer todo o trabalho
História de Hernane Freitas
A psicologia diz que a parte mais
solitária de envelhecer não é estar sozinho, mas sim perceber que algumas
amizades não sobrevivem quando você para de tomar a iniciativa e ter disposição
em fazer todo o trabalho© Divulgação/TV Globo
Existe um tipo de silêncio que dói e que quase nunca é
nomeado. Não é o silêncio da morte, e sim o da falta de
reciprocidade nas amizades, especialmente na terceira idade, durante o processo de
envelhecimento.
Esse 'luto invisível' revela uma verdade incômoda: algumas das amizades que pareciam profundas só existiam
porque alguém se esforçava demais. E quando esse esforço
acaba, a relação simplesmente desaparece. É um vazio que não tem despedidas,
mas deixa marcas profundas.
Do ponto de vista psicológico, essa dinâmica não é novidade.
A teoria da equidade, proposta por J. Stacy Adams e
ampliada por Elaine Hatfield e seus colegas, aponta que
relações saudáveis dependem de uma troca equilibrada de esforço, cuidado e
investimento emocional. Então, quando um se doa muito e o outro pouco, surgem
sentimentos de frustração, ressentimento e até desgaste emocional.
Pesquisas feitas pelo Laboratório de Conexão Social de
Harvard reforçam essa ideia, enquanto estudos de Oswald e colaboradores mostram
que o esforço recíproco é um dos principais indicadores da qualidade de uma
amizade.
Quando ele não existe, a relação tende a se deteriorar, ou
exige que uma das partes reduza suas expectativas para evitar sofrimento. Na prática, isso muitas vezes leva ao afastamento.
Como mudar a falta de reciprocidade na amizade?
Na juventude, os encontros frequentes criam uma estrutura
que sustenta os vínculos. Mas, com o passar dos anos, essa 'infraestrutura
social' se desfaz. A aposentadoria, a saída dos filhos de casa, as mudanças de
cidade e até questões de saúde reduzem drasticamente as oportunidades de
convivência.
Dados publicados no American Journal of Geriatric Psychiatry
mostram que o isolamento social é um dos maiores riscos para a saúde na
terceira idade.
Estima-se que cerca de um quarto dos adultos com 65 anos ou
mais estejam socialmente isolados, enquanto quase metade das pessoas acima dos
60 relatam sentimentos frequentes de solidão. Não se trata
apenas de ausência de companhia, mas da falta de conexões significativas e
recíprocas.
Diante disso, surge a pergunta: como mudar esse cenário? O
primeiro passo é reconhecer o valor da reciprocidade. Relações em
que o esforço é mútuo fortalecem não apenas o vínculo, mas também o senso de
pertencimento e autoestima.
Já quando o esforço é unilateral, mesmo que traga momentos
pontuais de afeto, ele pode corroer silenciosamente a percepção de valor
pessoal.
Talvez o maior aprendizado esteja em ajustar expectativas e,
ao mesmo tempo, redirecionar energia. Nem toda amizade precisa ser resgatada,
mas toda pessoa merece relações em que seja procurada, lembrada e
acolhida.
FONTE https://www.msn.com/pt-br/
Patrocinado Purepeople Brasil
Comentários
Postar um comentário