Pular para o conteúdo principal

A importância das relações: família, amigos e comunidade

Uma comemoração de aniversário de 90 e 60 anos. Família Vieira - 2015
Qual é a biografia das suas relações?
À medida que envelhecemos, precisamos explorar a dinâmica dessas relações, admirar as dimensões que conseguimos acrescentar às vidas dos participantes, incluindo nós mesmos, e saborear essas fontes de significado e inspiração. Há algo mais. As últimas pesquisas norte-americanas indicam que os aspectos mais importantes ou valiosos da vida das pessoas são os seus relacionamentos. 
As pessoas mais velhas são frequentemente encorajadas a repensarem em suas trajetórias de vida a fim de explorarem cuidadosamente os detalhes de suas memórias biográficas, para que possam elaborar a "história da minha vida". Existem profissionais especializados que ajudam as pessoas idosas a produzir tais memórias, e os membros mais jovens da família são incentivados a entrevistar os mais velhos "antes que seja tarde demais".
Ao se envolverem nesse processo com um olhar apreciativo, vem o prazer e, acima de tudo, um acentuado senso de significado de vida e de paz. As revisões de vida acabam fazendo com que as pessoas se concentrem em si mesmas, como centro da atividade. É nesse momento que as pessoas tentam descobrir "o que aconteceu comigo, o que eu senti, decidi, ou pensei ...".
Embora a revisão de vida ou retrospectiva de vida seja um gênero popular de trabalho de muitos profissionais junto aos mais velhos, o tema em si fica muito pequeno. Há algo mais. As últimas pesquisas norte-americanas indicam que os aspectos mais importantes ou valiosos da vida das pessoas são os seus relacionamentos. 
Que tal deixar de lado a "história da minha vida" por um tempo e, ao invés disso rever a “história das relações das quais tenho feito parte?”. O que poderíamos aprender? Como é que isso pode expandir nossa consciência ou julgamento da vida? 
Nós dois temos brincado com essa ideia há algum tempo, tentando elaborar um "duography", ou uma biografia de nossas relações. É bastante esclarecedor e nos faz pensar na história de vários outros relacionamentos que fazemos parte e ou temos participado. Por exemplo, o que vamos lembrar sobre a vida familiar? Em vez de pensar "o que aconteceu comigo", pode-se refletir sobre o que aconteceu com a minha família ao longo do tempo, o relacionamento do pai, mãe, irmãos, e como funcionava em conjunto - para o bem e mal. 
Aqui começamos, por exemplo, a pensar nos contextos, nas lutas econômicas dos nossos pais e nos seus sacrifícios para darem o melhor para nós. Pensar em como nós também demos prazer a eles, assim como um pouco de dor! Fazendo essa biografia descobrimos nossa admiração pela forma como nossas mães mantinham todos nós unidos, e como, após sua morte, as nossas relações com nossos irmãos e irmãs foram alteradas. 
Também pensar em nossas relações de amizade, alguns agora inativos, alguns duradouros. Nós não pedimos, neste caso, "o que eu recebo de presente", mas, por exemplo, "como nos prosperamos tão bem", e "a alegria que criamos juntos?". E, claro, há os grupos dos quais fizemos parte, os clubes e as comunidades. 
Todos adicionam partes significativas para a nossa compreensão e admiração. Relações têm vida própria; podemos participar, mas assim como uma conversa animada ou uma dança, as direções que tomam nascem na interação. 
À medida que envelhecemos, precisamos explorar a dinâmica dessas relações, admirar as dimensões que conseguimos acrescentar às vidas dos participantes, incluindo nós mesmos, e saborear essas fontes de significado e inspiração. 
(*)Ken e Mary Gergen – Diretores do The Taos Institute. Tradução livre. http://www.taosinstitute.net/2015-mayjune#sthash.rUpqkI6o.dpuf
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Saber ouvir 2 - Escutatória Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...   E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor....

Chapéu Violeta - Mário Quintana

Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha. Aos 8 anos: Ela olha para si e vê Cinderela. Aos 15 anos: Ela olha e vê uma freira horrorosa. Aos 20 anos: Ela olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair mas, vai sofrendo. Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e vê muito gorda, muito magra, muito alta, muitobaixa, muito liso muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar então vai sair assim mesmo. Aos 40 anos: Ela se olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa e sai mesmo assim. Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender. Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo. Aos 70 anos: Ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida. Aos 80 an...

Envelhecer não é estar sozinho

A psicologia diz que a parte mais solitária de envelhecer não é estar sozinho, mas sim perceber que algumas amizades não sobrevivem quando você para de tomar a iniciativa e ter disposição em fazer todo o trabalho História de Hernane Freitas A psicologia diz que a parte mais solitária de envelhecer não é estar sozinho, mas sim perceber que algumas amizades não sobrevivem quando você para de tomar a iniciativa e ter disposição em fazer todo o trabalho© Divulgação/TV Globo Existe um tipo de silêncio que dói e que quase nunca é nomeado.  Não é o silêncio da morte , e sim o da  falta de reciprocidade nas amizades ,  especialmente na terceira idade, durante o processo de envelhecimento .  Esse 'luto invisível' revela uma verdade incômoda:  algumas das amizades que pareciam profundas só existiam porque alguém se esforçava demais .  E quando esse esforço acaba, a relação simplesmente desaparece. É um vazio que não tem despedidas, mas deixa marcas ...

Poesia para uma manhã chuvosa: Catador de lindezas e Guardar

CATADORA DE LINDEZAS "Eu venho de lá, onde o bem é maior. De onde a maldade seca, não brota. De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção. Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades. Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações. Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor. Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças. Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria. Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe. Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho. Eu venho de lá e não estou sozinho, “sou catador de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem. Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem ...

Erótica é a alma em Viva a Velhice

Vamos juntos exercitar o envelhecimento. Retomando o Blog Viva a Velhice agora, com a mão na massa. Para um bom começo escolhi a nobreza de um texto de Adélia Prado. Outros textos serão buscados e aqui apresentados. Dos  escritores, poetas e cientistas compartilharei o conteúdo que, em acordo com meus valores, será um valioso contributo para o alcance do propósito deste blog que é o de bem Viver a Velhice. Começo com Adélia Prado com "Erótica é a Alma". "Todos vamos envelhecer... Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavel...